Construções submersas: como são feitas e para que servem?


Postada em 22/01/2019 às 08:00


Construções submersas: como são feitas e para que servem?

Mesmo em contato direto com a água, materiais utilizados nessas obras apresentam ampla resistência

 

Por Cláudia Ferreira

 

Fundações submersas ainda são um desafio para a área de engenharia civil e ao mesmo tempo de fundamental importância para o setor, que está inovando e crescendo cada vez mais.

Pontes são as principais obras construídas para que o congestionamento diminua e novas rotas sejam criadas para uma melhor e mais rápida experiência no trânsito. Muitas dessas pontes são criadas em contato direto com a água, e por isso, esse tipo de construção necessita de maiores cuidados, para garantir a segurança dos usuários e durabilidade da obra.

No Brasil, uma das mais famosas é a ponte Rio-Niterói, construída no estado do Rio de Janeiro, com uma extensão de pouco mais de 13 km e os pilares cravados na Baía de Guanabara.

 

 

Geralmente, essas pontes são construídas em locais próximos ao continente, onde a profundidade da água varia em torno de 50 metros, e um dos materiais utilizados que apresentam elevada resistência e maior durabilidade durante a construção dessas pontes, é o concreto submerso, que mesmo sofrendo agressões, ataques químicos e físicos, mantém suas propriedades com perfeição. Saiba mais a seguir:

Concretagem submersa

A concretagem é uma tarefa complexa, que requer um cuidado especial. Em alguns projetos, há até o acompanhamento de mergulhadores, que ajudam a verificar cada etapa, garantindo que não haja qualquer vazamento, afinal, uma possível contaminação da água pode gerar um elevado impacto ambiental.

O segredo do melhor desempenho do concreto submerso em ambientes aquáticos é a sua composição. A dosagem dos materiais, agregados, aglomerantes e aditivos é planejada conforme o meio onde serão inseridos. O cimento é escolhido de acordo com o tipo de peça estrutural que será construída e o seu volume. Junto dele são adicionados superplastificantes, hiperplastificantes e antidispersantes.

Sem contar que a utilização do concreto submerso proporciona uma melhor execução de estruturas de diferentes tecnologias, como por exemplo na construção de barragens, canalização de leito de rios, estruturas de contenção, obras emergenciais contra enchentes, quebra-mares, pilares de pontes, muros de contenção de subsolo e muitas outras coisas.

Dicas e cuidados que se deve tomar

1. Análise do solo submerso, feita com sondagens à percussão (solos moles) ou rotativas (solos rochosos). Essa análise dirá se o concreto é o mais adequado para o uso ao qual será destinado. São analisadas, por exemplo, trabalhabilidade e consistência.

2. O melhor tipo de concreto para ser aproveitado em situações submersas é o autoadensável. Esse produto já apresenta elevado teor de finos e conta com aditivos plastificantes, tornando-se, assim, a opção sob medida para situações subaquáticas.

3. O método mais utilizado para execução da concretagem submersa tem o auxílio de uma tubulação conhecida como tremonha (com formato de pirâmide invertida, a tremonha leva o concreto até a parte inferior da fôrma, que vai sendo preenchida de baixo para cima, até transbordar). Neste caso, é necessário que ela também tenha grande plasticidade e seja autoadensável, com fator água-cimento (a/c) menor ou igual a 0,45. Essas características são obtidas adicionando-se aditivos plastificantes e retardadores.

4. Como dito anteriormente, alguns processos de concretagem requerem o acompanhamento de mergulhadores, que verificam a calda subindo dentro da fôrma e evitam os vazamentos. Além desse acompanhamento, também existem cuidados com o controle do tempo de injeção e lançamento do concreto, além do controle da retirada da tremonha.

5. Para finalizar, algumas obras submersas pode-se usar também o concreto pré-moldado. A vantagem é a redução do trabalho embaixo d'água, já que o tempo de mergulho é limitado e a mão-de-obra e equipamentos necessários são caros.